Gestão 12/03/2019 - 08:44 - Wladimir Machado/Governo do Tocantins

Estado e Funai discutem Etnoturismo na Ilha do Bananal

Reunião Funai - Foto Emerson Silva (10)_500.jpg Reunião Funai - Foto Emerson Silva (10).jpg -

O presidente da Agência de Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa (Adetuc), Tom Lyra, recebeu, na manhã desta segunda-feira, 11, o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Eduardo Macedo, e o indigenista da Funai, André Matsubara, que vieram reforçar a parceria do Governo do Estado para construção do plano de visitação, voltado ao Etnoturismo dos povos indígenas da Ilha do Bananal.

No encontro, o presidente da Adetuc destacou a importância da parceria, visando fomentar a atividade do turismo de forma organizada, conforme a legislação para geração de renda e melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas. “As ações planejadas de visitações aos povos indígenas, por meio do fomento ao Etnoturismo, permitem que os turistas conheçam de perto a vida, os costumes e a cultura dos povos indígenas. Esse tipo de turismo é uma fonte de renda para as aldeias, que conseguirão se sustentar financeiramente”, pontuou.

De acordo com a Funai, a parceria com o Estado ajuda a levar as políticas públicas de fomento ao turismo para as terras indígenas, em observância à instrução normativa da Funai, que regula o turismo de base comunitária nessas comunidades. “A instrução normativa orienta o Estado sobre como devem ser construídas essas políticas públicas voltadas aos povos indígenas, que devem ter como princípio básico a consulta prévia aos povos indígenas, ou seja, construindo as políticas públicas conforme os anseios das comunidades indígenas e, a partir daí, a construção de um Plano de visitação para as terras indígenas”, explicou o indigenista André Matsubara.

Ainda segundo André Matsubara, a Funai já iniciou um trabalho de consultoria, onde estão sendo levantadas informações de como está ocorrendo o turismo nas terras indígenas que compõem a Ilha do Bananal, sendo que o objetivo final dessa consultoria é construir um plano de visitação.

Ilha do Bananal

Com área de cerca de 25 mil km², a Ilha do Bananal é considerada a maior ilha fluvial do mundo, localizada no Tocantins entre dois grandes rios, que são o Javaés e o Araguaia, nas divisas com Goiás e Mato Grosso, na planície do Cantão. Ela integra os municípios tocantinenses de Pium, Caseara, Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão e Marianópolis.

A ilha é uma parte do parque nacional e outra do parque indígena, uma das mais importantes áreas de conservação do Brasil, classificada pela organização das Nações Unidas para Educação (Unesco) como reserva da biosfera. Nesse local, estão localizadas as aldeias indígenas das etnias Javaés e Karajá, sendo que estes produzem entre outros tipos de artesanato, as bonecas Rtxòkò, certificadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural do Brasil.

A fauna e a flora intocadas lembram o pantanal mato-grossense, e na maior parte do ano, grande parte da ilha fica inundada. Para entrar na ilha, é necessário ter autorização dos órgãos federais como o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), que mantém um escritório em Pium; ou ainda a Funai, cuja sede está localizada em Palmas.

Um dos grandes atrativos para turistas de todo Brasil é a emoção da pesca esportiva, quando é possível fisgar grandes exemplares de piraras, pirarucus, surubins, caranhas, entre outros.

Unidade de Preservação   

A Ilha do Bananal está dividida em duas áreas de reserva ambiental: ao sul, o Parque Indígena do Araguaia, criado principalmente para proteção dos índios da região, abrangendo um grande número de aldeias indígenas, principalmente da etnia Karajá e é administrado pela Funai. Ao norte, o Parque Nacional do Araguaia abrangia antigamente toda a área da Ilha do Bananal, porém sua área foi reduzida e, hoje, é administrada pelo ICMBio.

Municípios que compõem a região

A região turística da Ilha do Bananal é composta pelos municípios de Formoso do Araguaia, Gurupi, Lagoa da Confusão e Peixe. Banhados pelos rios Formoso, Urubu, Araguaia e Javaé, os municípios de Lagoa da Confusão e Formoso do Araguaia são a porta de entrada para a Ilha do Bananal e o Parque Nacional do Araguaia. Com topografia plana e grande quantidade de água, a área tem como característica a quantidade de alimentos, que atrai uma diversidade de aves típicas da região, além de aves migrantes.

Na Lagoa da Confusão, são encontradas espécies de fauna e flora características da região amazônica, onde se desenvolvem vários projetos de proteção ambiental, cuja base é o Parque Estadual do Cantão. Já em Formoso do Araguaia, a característica principal está nos redutos de pesca esportiva, praticada durante todo o ano, tendo uma água de ótima qualidade com cerca de 300 espécies de peixes, das quais 50 são consideradas esportivas. Essa prática transformou-se na principal atividade econômica da região, atraindo grande número de turistas.