Cultura Popular 27/03/2021 - 17:01 - Henrique Lopes / Governo do Tocantins

Por trás do picadeiro, circenses tocantinenses relatam vivências no Dia do Circo

Artistas unem arte e cultura regional em espetáculos de encher os olhos. Artistas unem arte e cultura regional em espetáculos de encher os olhos. - Arquivo Trupe Açu

Das gargalhadas proporcionadas pelas piadas do palhaço que apresenta as suas marmeladas no centro do picadeiro, ao olhar atento aos gestos cuidadosos dos malabaristas em seu voo de pássaros no trapézio, a inegável magia do circo, que encanta diversas pessoas por séculos continua a atrair milhares de olhares, mesmo que durante a pandemia de Covid-19, as cadeiras posicionadas debaixo das lonas coloridas, estejam vazias.

A visão poética dos espetáculos, guarda o trabalho minuciosos de artistas que se transformam em palhaços, malabaristas, acrobatas, contorcionistas, equilibristas, ilusionistas para levar ao público diversão, transformando um pouco a dura realidade do dia a dia em leveza e alegria, que deve ser celebrado e lembrado neste sábado, 27 de março, o dia em que comemoramos o Dia do Circo.  

Entre os diversos artistas que fizeram da arte circense um estilo de vida, Ester Monteiro e Giovana Kurovski, que formam a dupla Palhaça Tapioca e Palhaça Girassol, contam que muito além de uma fonte de renda, o circo representa uma liberdade de trabalhar com algo que gostam e também com a cultura tocantinense.  “Hoje o circo é o que nos sustenta, não só pagando nossas contas ou comprando comida, mas alimenta nossa alma, o nosso querer fazer artístico. Dentro do circo exprimimos toda a nossa cultura, ideologias, conhecimentos e aprendizado. Vai muito além de ter uma habilidade ou um picadeiro, é ter em si a vontade irrevogável de espalhar o riso e a alegria”, conta Giovana.

Membro Trupe-Açu, fundada em 2009, Ester revela que além de levar alegria usa o circo para propagar, também, a cultura tocantinense, o que para ela é de extrema importância. “Estamos trabalhando em um estado onde muitas histórias ainda estão virando referência e não é diferente dentro da palhaçaria que buscamos, onde a nossa principal pesquisa é a relação humana. Em nossos trabalhos procuramos pesquisar tradições, oralidade e o lugar da mulher dentro disso tudo assim trazendo um estudo e uma comicidade afro e indígena dentro da palhaçaria”, completou ao mencionar as referências, que se encontram nos teatros de feiras dos ciganos, charlatões, teatro de boneco e teatro de Gramelôs.

Fundador do Circo Kikintura, que também dá nome ao palhaço que comanda o espetáculo, brinca com o clima tocantinense, o artista Emanuel Eduardo Cardoso dos Santos relata que o interesse pela arte circense começou por meio da música eletrônica, aos 18 anos. “Há 10 anos eu vivo só de circo. O circo no Tocantins acabou se tornando muito forte, pela visibilidade de vários grupos terem vindo para cá que tiveram acesso ao sinaleiro. A cultura circense já faz parte da cultura tocantinense. Temos muitos artistas de nível alto, morando aqui e que já passaram por aqui”, ressalta Eduardo ao falar que durante o espetáculo apresenta números de  mágica, malabarismo, contação de histórias, além de show com músicas autorais.

Apesar dos avanços e do fortalecimento da arte circense em todo o estado, o palhaço revela que ainda falta reconhecimento. “Isso ajudaria os grupos e as pessoas que vivem do circo, para que o público chegue próximo aos artistas”, explica.

Incentivo à alegria

Com artistas circenses e trupes espalhadas por todo o estado, o Governo do Tocantins, por meio da Adetuc, tem buscado fortalecer o apoio à arte circense, principalmente durante a pandemia, por meio da implementação dos recursos destinados pela Lei Aldir Blanc.

Para o presidente da Adetuc, Jairo Mariano, expandir o acesso da comunidade ao circo e valorizar os profissionais que fazem da alegria o seu sustento tem sido algumas das propostas já avaliadas. “Sabemos que o reconhecimento para esses artistas está muito além do dia de hoje, mas na construção de espaços em que permite que o seu trabalho chegue ao público. Por isso, a Adetuc tem buscado trabalhar ferramentas que permitam que o palco parado durante a pandemia, volte a brilhar e encantar os espectadores em todas as regiões do estado”, declarou o presidente.